Gabriel Ferrandini

Estufa Fria de Lisboa

27 Set. 18h00

Com a composição já devidamente postulada no lindíssimo disco das “Volúpias”, onde trabalhou um formato clássico de bateria, saxofone e contrabaixo numa linguagem sem tempo mas muito sua, tem dado passos corajosos na sua afirmação a solo, terreno sempre arriscado e poucas vezes premente nos domínios da percussão. Descartando qualquer tipo de virtuosismo estéril, mesmo sabendo de antemão da sua técnica prodigiosa, Ferrandini alavanca a sua bateria e percussão até um estado de confluência abençoada entre o ritmo, a textura e a harmonia. Mais próxima de alguma música contemporânea ou electro-acústica do bem do que propriamente do jazz, embora carregando com ele essa ideia de liberdade e vida, a música solitária de Ferrandini explora e abre-se ao lirismo das peles, pratos e demais matéria através da amplificação, do processamento electrónica, da gestão do silêncio e do equilíbrio no fio da navalha entre a contenção e o fogo. Com momentos chave como a apresentação de ‘Tudo Bumbo’ ou a sua peça ‘Rosa. Espinho. Dureza’ a marcarem pontos nessa ascensão, Ferrandini prepara agora o lançamento de um álbum nascido dessa vontade. Retrato possível para a posteridade de uma faceta pessoalíssima conhecida nos palcos.

With the composition already duly postulated on the beautiful “Volúpias” album, where he worked a classic format of drums, saxophone and double bass in a language without time but very much his own, he has taken courageous steps in his solo affirmation, always risky terrain and rarely pressing in the fields percussion. Discarding any kind of sterile virtuosity, even knowing in advance of his prodigious technique, Ferrandini leverages his drums and percussion to a state of blissful confluence between rhythm, texture and harmony. Closer to some contemporary or electro-acoustic music of goodness than to jazz, although carrying with it this idea of freedom and life, Ferrandini’s solitary music explores and opens itself to the lyricism of skins, dishes and other matter through amplification, electronic processing, managing silence and balancing the knife edge between containment and fire. With key moments like the presentation of ‘Tudo Bumbo’ or his play ‘Rosa. Thorn. Hardness’ to score points in this rise, Ferrandini is now preparing the release of an album born out of that desire. Possible portrait for the posterity of a very personal facet known on the stage.

Gabriel Ferrandini

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Baterista incansável e sempre pleno de ideias e visões para avançar a sua música, Gabriel Ferrandini tem vindo a construir um currículo excelso numa militância que passa pelo seu papel fulcral em bandas como o RED Trio ou o Rodrigo Amado Motion Trio e numa vasta rede de colaborações com grandes como Alexander Von Schlippenbach, Axel Dörner, Elias Bender Rønnenfelt, Evan Parker, Thurston Moore, John Butcher, Nate Wooley, Alex Zhang Hungtai ou Peter Evans. Demasiados nomes para serem aqui citados, num mosaico que passa pelo jazz, pela improvisação livre, por formas dinamitadas de rock e músicas sem nome próprio, num processo de exploração contínua, sempre fascinante e livre.

A tireless drummer and always full of ideas and visions to advance his music, Gabriel Ferrandini has been building an excellent curriculum in a militancy that includes his pivotal role in bands like RED Trio or Rodrigo Amado Motion Trio and in a vast network of collaborations with greats like Alexander Von Schlippenbach, Axel Dörner, Elias Bender Rønnenfelt, Evan Parker, Thurston Moore, John Butcher, Nate Wooley, Alex Zhang Hungtai or Peter Evans. Too many names to be mentioned here, in a mosaic that includes jazz, free improvisation, dynamized forms of rock and music without a proper name, in a process of continuous exploration, always fascinating and free.