palestras

Para lá do audível – O Papel do Som na revolução ecológica

Beyond the audible – The role of sound in an ecological revolution. 

Através de seu uso do som e da musicalidade, Gil Delindro estende um convite

para a prática de uma forma de perceção contracultural que vai além

dos grandes eventos mundiais e das suas consequências de longo alcance.

Esta forma de perceção procura o político, promovendo uma sensibilidade

para a realidade da matéria vibrante e um respeito por um mundo em que

todas as formas de materialidade parecem animadas. “(Lena Reisner, 2018)

O foco principal no trabalho de Delindro tem sido a constante pesquisa

de campo em comunidades remotas, isoladas e rurais em todo o mundo,

criando peças que partem de materiais orgânicos comuns e experimentos simples.

Nesta palestra, o artista irá partir da sua recente pesquisa artística nas aldeias

de minorias étnicas do Vietnam, passando pelos últimos cinco anos de trabalho

com geografias e comunidades totalmente distintas ao redor do mundo.

Como pode o som tornar-se um veículo ecológico para melhorar

a nossa experiência de materialidade orgânica, possivelmente promovendo

o nosso compromisso político com o meio ambiente e ao mesmo tempo

mantendo a independência artística? Podemos abraçar arquiteturas não humanas

de uma maneira diferente para repensar a nossa condição antropocêntrica?

O trabalho do artista será um ponto de partida para uma discussão mais ampla

sobre como a arte pode responder a tais desafios hoje.

Gil Delindro é uma presença única entre uma nova geração de Sound and Media Arts.

Ele tem vindo a destacar-se pela investigação sobre elementos orgânicos,

eventos efémeros e processos intangíveis na natureza.

A sua prática transdisciplinar é baseada em filmes, instalação, performance sonora

e pesquisa de campo site-specific, direcionada para temas como bioacústica, animismo,

decadência, efemeridade e geologia.

As peças de Delindro traduzem diretamente estádios da matéria orgânica, como solo,

água, madeira e detritos, para trabalhos espaciais sonoros expandidos,

através de uma abordagem visceral de confronto vs intimidade, total vs detalhe.

O som é o elemento de ligação de todo o seu trabalho como uma metáfora do tempo

e da natureza intangível de toda a matéria. As suas instalações efémeras baseiam-se

em transfigurações irreproduzíveis, usando processos de amplificação que se tornam

seres independentes que existem num espaço transitório constante.

Embora simples e sensorial, elas servem também um estado imaginário de metáforas

sobre a condição humana como ecos do mundo natural.

Uma grande parte de seu trabalho é dedicada a extensa pesquisa de campo em áreas isoladas

a partir da residência de 3 meses no deserto africano Saara “The Weight of Mountains 2015”

para as florestas tropicais do Brasil “Resiliência 2017” – ele pesquisou nos limites

da gravação de campo, antropologia e geografias perdidas em todo o mundo.

O seu trabalho tem-se apresentado extensivamente por todo o globo: em 2016

foi selecionado pela SHAPE como um dos artistas sonoros mais inovadores que trabalham na Europa,

tendo sido  comissariado por festivais de referência: como MusikProtokoll (Áustria),

Novas Frequências (Brasil), CYNETart (Dresden) Athens Digital Arts Fest (Atenas), ARS Eletronica (Linz),

Semibreve (Braga), entre outros.

O seu trabalho tem sido apoiado e premiado por instituições como ENCAC

(Rede Europeia de Criação Audiovisual), Edigma (prémio Semibreve), Fundação Gulbenkian (Portugal),

o Berlin Senate for Kultur and Europa (DE), bem como positivamente revisto por ORF1 (Áustria),

Musikworks (CA), Plataforma SHAPE (UE), NEURAL (IT), “The Quietus” (Reino Unido).

Em 2018 foi entrevistado como um dos mais prolíficos jovens artistas que trabalham

no cruzamento da arte, ciência e biodesign pela revista japonesa Boundbaw.

Foi artista convidado para o BADaward 2017, “Biological Clocks of the Universe” no MU Art Center,

Holanda, sendo finalista da edição 2018 do prémio.

Recentemente, concluiu uma exposição individual na Gallery im Turm em Berlim

e atualmente desenvolve novas residências e performances no leste da Ásia e na Suíça.

 

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Through his use of sound and musicality, Gil Delindro extends an invitation to practice

a countercultural form of perception that moves beyond great world events

and their far-reaching consequences. This form of perception seeks out the political

by fostering a sensibility for the reality of vibrant matter, and a respect for a world

in which all forms of materiality appear to be animated. “  (Lena Reisner, 2018)

Main focus in Delindro´s work has been the constant field research in remote,

isolated and rural communities around the world. Namely by creating pieces

that depart from common organic materials and simple experiments.  In his public talk,

the artist will engage in an open discussion departing from his recent artistic research

in Vietnam´s ethnic minority villages and going through the last five years of work

with totally distinct geographies and communities around the world.

How can sound become an ecological vehicle to enhance our experience of

organic materiality, possibly fostering our political engagement with the environment

while maintaining artistic independence? Can we embrace non-human architectures

in a different way to re-think our Anthropocene condition?  The artist’s work will be

a starting point for a wider discussion on how art can respond to such challenges today.

Gil Delindro (1989) is a unique presence among a new generation of Sound and Media Arts.

He has distinguished himself by the research on organic elements, ephemeral events

and intangible processes in Nature. His trans-disciplinary practice is based upon film,

installation, sound performance and site specific/field research, facing themes such

as bioacoustics, animism, decay, ephemerality and geology.
Delindro´s pieces directly translate stages of organic matter such as soil, water, wood

and detritus in to expanded sonic spatial works, through a visceral approach of

confrontation vs intimacy, whole vs detail. Sound is the binding element of all his work as

a metaphor for time and the intangible nature of all matter. His ephemeral installations

are based upon irreproducible transfigurations, using amplification processes this pieces

become independent beings that exist in a constant transient space.

Although simple and sensory, they serve as well an imaginary state of metaphors

on the human condition as echoes of the natural world.

A great part of his work is dedicated to extensive field research in isolated areas –

from the 3 month residency in African Saharan Desert “The Weight of Mountains 2015”

to the Rainforests of Brazil “Resiliência 2017” – he has researched on the limits of field recording,

anthropology and lost geographies around the world. His work has been presented

extensively worldwide, in 2016 he was selected by SHAPE as one of most innovative sound artists

working in Europe, being commissioned by reference festivals such as MusikProtokoll (Austria),

Novas Frequências (Brazil), CynetArt (Dresden) Athens Digital Arts Fest(Athens), ARS Eletronica(Linz),

Semibreve (Braga), among others.