performances

Partindo de um mundo expandido de som e ecologia acústica, o núcleo da pesquisa

de Delindro é uma experiência direta e constante em paisagens remotas,

das florestas tropicais do Brasil aos Desertos da África. Sem se envolver ativamente

em mensagens sócio-políticas diretas, Delindro revela-as inevitavelmente no seu discurso

público ao criar discussões sobre a relação contemporânea entre os seres humanos

e o seu ambiente em rápida mutação. Nas suas instalações de som e performance,

explora materiais orgânicos para tornar audível a corporalidade, ressonância

e processos de mudança. No Lisboa Soa, Delindro irá apresentar uma nova peça

diretamente relacionada com a sua última residência artística de três meses no Vietname.

Durante este período, o artista desenvolveu várias gravações de campo e pesquisas

nas pequenas vilas das montanhas do norte, as suas práticas culturais e materiais de uso,

nomeadamente a antiga produção agrícola de Arroz. O arroz é chamado de “ouro branco”

no Vietname e está ligado ao nome sânscrito “Dhanya” (que significa: “o sustentador da raça humana”).

As minorias étnicas nas montanhas do Norte têm tradições folclóricas únicas relacionadas com a sua paisagem.

Nesta peça, o som é usado não apenas como uma forma de examinar materiais orgânicos

em detalhe mas também como um veículo para interpretar uma cultura distante.

A performance amplifica diferentes amostras de palha de arroz numa mistura

de experimentos geológicos, ações performativas e processamento de som.

Gil Delindro é uma presença única entre uma nova geração de Sound and Media Arts.

Ele tem vindo a destacar-se pela investigação sobre elementos orgânicos,

eventos efémeros e processos intangíveis na natureza.

A sua prática transdisciplinar é baseada em filmes, instalação, performance sonora

e pesquisa de campo site-specific, direcionada para temas como bioacústica, animismo,

decadência, efemeridade e geologia.

As peças de Delindro traduzem diretamente estádios da matéria orgânica, como solo,

água, madeira e detritos, para trabalhos espaciais sonoros expandidos,

através de uma abordagem visceral de confronto vs intimidade, total vs detalhe.

O som é o elemento de ligação de todo o seu trabalho como uma metáfora do tempo

e da natureza intangível de toda a matéria. As suas instalações efémeras baseiam-se

em transfigurações irreproduzíveis, usando processos de amplificação que se tornam

seres independentes que existem num espaço transitório constante.

Embora simples e sensorial, elas servem também um estado imaginário de metáforas

sobre a condição humana como ecos do mundo natural.

Uma grande parte de seu trabalho é dedicada a extensa pesquisa de campo em áreas isoladas

a partir da residência de 3 meses no deserto africano Saara “The Weight of Mountains 2015”

para as florestas tropicais do Brasil “Resiliência 2017” – ele pesquisou nos limites

da gravação de campo, antropologia e geografias perdidas em todo o mundo.

O seu trabalho tem-se apresentado extensivamente por todo o globo: em 2016

foi selecionado pela SHAPE como um dos artistas sonoros mais inovadores que trabalham na Europa,

tendo sido  comissariado por festivais de referência: como MusikProtokoll (Áustria),

Novas Frequências (Brasil), CYNETart (Dresden) Athens Digital Arts Fest (Atenas), ARS Eletronica (Linz),

Semibreve (Braga), entre outros.

O seu trabalho tem sido apoiado e premiado por instituições como ENCAC

(Rede Europeia de Criação Audiovisual), Edigma (prémio Semibreve), Fundação Gulbenkian (Portugal),

o Berlin Senate for Kultur and Europa (DE), bem como positivamente revisto por ORF1 (Áustria),

Musikworks (CA), Plataforma SHAPE (UE), NEURAL (IT), “The Quietus” (Reino Unido).

Em 2018 foi entrevistado como um dos mais prolíficos jovens artistas que trabalham

no cruzamento da arte, ciência e biodesign pela revista japonesa Boundbaw.

Foi artista convidado para o BADaward 2017, “Biological Clocks of the Universe” no MU Art Center,

Holanda, sendo finalista da edição 2018 do prémio.

Recentemente, concluiu uma exposição individual na Gallery im Turm em Berlim

e atualmente desenvolve novas residências e performances no leste da Ásia e na Suíça.

 

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Departing from an expanded world of sound and acoustic ecology, the core for Delindro´s

research is a constant direct experience in remote landscapes, from the rainforests of Brazil to the Deserts

of Africa he has continuously engaged with isolated communities and geographies. Without actively

engaging in direct social-political messages, Delindro inevitably unveils them to the public discourse

and creates discussion on the contemporary relation between humans and their rapidly changing environment.

In his sound installations and performance, he explores organic materials to render audible corporeality,

resonance, and processes of change. For Lisboa Soa, Delindro will present a new piece directly related

to his last artist Residency of three months in Vietnam. During this period he developed several field recordings

and site-specific research with the north minority mountain villages, their cultural practices and materials of use,

namely their ancient agricultural production of Rice. Rice is called ‘white gold’ in Vietnam and has a link

to the Sanskrit name ‘Dhanya’ (meaning: “the sustainer of the human race”).  The ethnic minorities in the

North mountains have unique folklore traditions in relation to their landscape. In this piece, sound is used

not only as a form to directly examine organic materials in detail but also as a vehicle for interpretation

of a far distant culture. The performance directly amplifies different samples of Rice Straw in

a mixture of geologic experiments, performative actions and sound processing.  

Gil Delindro (1989) is a unique presence among a new generation of Sound and Media Arts.

He has distinguished himself by the research on organic elements, ephemeral events

and intangible processes in Nature. His trans-disciplinary practice is based upon film,

installation, sound performance and site specific/field research, facing themes such

as bioacoustics, animism, decay, ephemerality and geology.

Delindro´s pieces directly translate stages of organic matter such as soil, water, wood

and detritus in to expanded sonic spatial works, through a visceral approach of

confrontation vs intimacy, whole vs detail. Sound is the binding element of all his work as

a metaphor for time and the intangible nature of all matter. His ephemeral installations

are based upon irreproducible transfigurations, using amplification processes this pieces

become independent beings that exist in a constant transient space.

Although simple and sensory, they serve as well an imaginary state of metaphors

on the human condition as echoes of the natural world.

A great part of his work is dedicated to extensive field research in isolated areas –

from the 3 month residency in African Saharan Desert “The Weight of Mountains 2015”

to the Rainforests of Brazil “Resiliência 2017” – he has researched on the limits of field recording,

anthropology and lost geographies around the world. His work has been presented

extensively worldwide, in 2016 he was selected by SHAPE as one of most innovative sound artists

working in Europe, being commissioned by reference festivals such as MusikProtokoll (Austria),

Novas Frequências (Brazil), CynetArt (Dresden) Athens Digital Arts Fest(Athens), ARS Eletronica(Linz),

Semibreve (Braga), among others.