Vitor Joaquim e João Silva

The Construction of Time

Jardim do Goethe Institut

25 Set. 19h30

Este álbum surge na sequência dos anteriores trabalhos Nothingness (2019), Impermanence (2018) e Filament (2011) e e Flow (2006) álbuns que se debruçam sobre a questão da interioridade, fluxo, tempo e da nossa relação com as percepções que criamos a partir do mundo que nos rodeia. 
Sendo o tempo uma dessas percepções, subjectiva e intimamente dependente do nosso estado de espirito, experiência, conhecimento, etc., acaba por ser relativizado de diferentes formas por cada um de nós, de acordo com o momento que vivemos. Se estivermos felizes sentimos que o tempo voa, mas se vivermos momentos desagradáveis o tempo parece nunca mais acabar. A que se devem estas diferenças de percepção senão à construção do tempo que fazemos dentro de cada um de nós? 
E quando pensamos no Universo, na sua extensão e profundidade, que capacidade temos de assimilar o tempo enquanto relação espácio-temporal? Seremos alguma vez capazes de compreender realmente o que significam 10 anos luz e o que acontece com o tempo em nós durante essa viagem?
De percepção em percepção, tacteamos a impermanência e relatividade das nossas vidas, ao mesmo tempo que nos apoiamos em certezas vagas construídas a partir da “espuma dos dias” (Boris Vian) e de algumas certezas científicas que intuímos serem também elas temporárias. Conhecedores da nossa finitude, cada um à sua maneira, lidamos com o paradoxo de toda a nossa existência ter de caber num significado do qual não sabemos o nome. No entretanto, enquanto experienciamos a elasticidade do percurso, cada um de nós faz a sua própria construção emocional do tempo.
Tal como refere Carlo Rovelli no seu livro A Ordem do Tempo, “o tempo para nós é memória e expectativa”. Assim como a música também o é.

This album follows on from the previous works Nothingness (2019), Impermanence (2018), Filament (2011) and Flow (2006) albums that focus on the questions of interiority, flow, time and relationship with the perceptions we create from the world we live in.

Since time is one of those perceptions, subjectively and intimately dependent on our state of mind, life experience, knowledge, etc. it ends up being relativized in different ways by each one of us, according to the moment we live. If we are happy, we feel that time flies, if we live unpleasant moments, time seems to never end. What are these differences in perception if not to the construction of the time we make within each of us?

And when we think about the Universe, in its extension and depth, what capacity do we have to assimilate time as a space-time inter-relation? Will we ever be able to really understand what 10 light years means and what happens with time in us across that travel?

From perception to perception, we feel the impermanence and relativity of our lives, while we rely on vague certainties collected from “l’ecume des jours” (Boris Vian) and some scientific certainties that we may anticipate can also be temporary. Knowing our finitude, each one in their own way, we deal with the paradox of our entire existence having to fit into a meaning of which we do not know the name. In the meantime, while experiencing the elasticity of the path, each one of us does his own emotional construction of time.
As Carlo Rovelli reveals on his book The Order of Timetime for us is memory and expectation”. Just like music is.

 

Vitor Joaquim

http://www.vitorjoaquim.pt

Improvisador electrónico, compositor e artista media. Formou-se em cinema nas áreas de som e realização, e é doutorado em Ciência e Tecnologia da Artes na área de Computer Music. Compôs para dança, teatro, instalações e multimédia.
Começou a tocar música improvisada em 1982, e em 89 iniciou-se na composição para dança contemporânea com Mark Haim. Desde então, desenvolveu trabalho regular para dança em Portugal, França, Espanha, Bélgica e Alemanha. Apresenta-se regularmente ao vivo, um pouco por toda a Europa, ora a solo ora em colaborações diversas com criadores das mais variadas áreas. Tem 15 álbuns editados e cerca de duas dezenas de colaborações, compilações e remisturas internacionais. Na vertente expositiva, tem apresentado trabalho em diversas galerias e eventos, com especial incidência na área da escultura sonora e da instalação. Para além do trabalho sonoro, tem ainda criado e dirigido peças de âmbito transdisciplinar em áreas tão diversas como o vídeo mapping, a videoarte ou a performance contemporânea.
Tem produzido, assessorado e programado diversos festivais e eventos transdisciplinares ligados às artes experimentais, com especial relevância para o festival EME que iniciou em 2000 e do qual foi produtor e programador ao longo de 10 anos.
No plano do ensino, começou a leccionar em 1990, ao mesmo tempo que desenvolvia actividade paralela no plano da criação artística. Foi professor e coordenador pedagógico na ETIC e na Restart, escola da qual foi membro fundador. É professor e investigador do ensino universitário desde 2009.

Based in Setúbal, Portugal. Researcher, teacher, electronic experimentalist, sound and visual artist, Vitor graduated in sound and film directing with a phd in computer music.
He started performing music and working with contemporary dance by the mid 80’s. Since then, he has created extensively for dance, theatre, video, installations and cross media platforms. Collaborations with collectives and creators such as Mark Haim, Coogan Dancers, Vera Mantero, Errequeerre, Mónica Calle, Paulo Ribeiro, João Galante, João Samões, Annabelle Bonnery, Stephanie Thiersch, La Macana, Guillermo Weickert and Rui Horta. With Rui Horta he created the music for LP and the widely acclaimed and prized “Pixel”, among other works. With the Spanish choreographer Guillermo Weickert, among several musical compositions, he directed the also acclaimed and prized “Go With The Flow”, a dance stage adaptation of his cd “Flow”.
Until now, he has 14 album releases and a long list of collaborations in compilations and remixes.
 In 1997, the cd Tales From Chaos (under the alias Free Field) was considered one of the 10 records of the year (Publico, Expresso) and one of the 10 Portuguese electronic records of all times (Publico). In 2006, Flow cd was listed by the Wire magazine as one of the best electronic records of the year. “Filament”, his fifth solo release was nominated for best Experiment and received the GRM Prize on Qwartz Awards 2013 and was listed as one of the best drone/ambient works by Indie Rock Magazine. Since “Geography” (2016), considered by Indie Rock Magazine as one of the best albums of the year, Joaquim has received meritorious criticisms and nominations as “Best of the year” in several publications and charts.
He collaborated with many international artists, such as @c, Scanner, Stephan Mathieu, Simon Fisher Turner, Phil Niblock, Harald Sack Ziegler, Colleen, Pure, Sergi Jordà, Marc Behrens, o.blaat, Ran Slavin, Julien Ottavi, Greg Haines, Gunther Heinz, Joe Giardullo, Carlos Zíngaro, Ulrich Mitzlaff, Nuno Rebelo, Carlos Santos, Pedro Carneiro and Emidio Buchinho among many others.
Over the years, on most of his solo acts, Joaquim opted to play or in total darkness, as a way to increase the sense of sound, or with visual artists such as the long time collaborators Thr3hold, Lia, Hugo Olim, Laetitia Moraes, Carsten Goertz, P.MA (Pedro Maia), Michael Armingeon, Phillip Rahlenbeck – KE4, André Sier, Nina Juric, Gabriel Shalom and Alba G. Corral.
Even though he loves to play solo, it is in the electronic real time collaborations and live sampling that Joaquim is been mostly involved, while playing live and touring all over Europe, in music and dance performances at festivals such as Klangshphäre Ambientfestival, Sulfure Festival, Semibreve, Serial, Atlantic Waves, IFI, CAMP, Ultrasound, Lem, CocArt, Madeiradig, Storung, Artech, Sonica, Intr:Muros, Trendelenburg, Mes de Danza, MU.DA, etc.. Highlight on performances and presentations in places such as Spitz (UK), MC2 (Grenoble), Mercat dels Flors (Barcelona), I.C.A. (UK), NRW (Dusseldorf), O Espaço do Tempo (Montemor-o- Novo), Teatro Central (Sevilla) Instants Chavirés (Paris), Casa Encendida (Madrid), KHM (Cologne), Cinema Club (Kiev) and Kino Siska (Ljubljana).
In Portugal he has presented work in virtually all the regular places for experimental art like ZDB,
 CCB, Culturgest, Gulbenkian Foundation, Serralves Foundation, and Casa da Musica among others. Simultaneously to his own artistic work on sound and music, he directed a few pieces in contemporary performance, video art and video mapping, and has been invited to advise programmers and curators in several festivals and events in Europe. From 2000 to 2009, he produced EME Festival, an event dedicated to experimental arts and non-standard music. Among other acts, he underlines Paolo Angeli, Oval, Tim Hecker, Hauschka, Frank Bretschneider, Scanner, Tina Frank, Lia, Gabriel Anton Irrisari, Freiband, Stephan Mathieu, Colleen, Freiband, Biosphere, Zavoloka, Murcof and Sanso-xtro.
He has been teaching and coordinating sound and audiovisuals in art schools since the 90’s.

João Silva

https://joaosilva.music.blog

Trompetista, professor e investigador.
 Estudou na Escola Profissional de Música e Artes de Almada e na Escola de Música do Conservatório Nacional. É Licenciado em Música pela Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco, onde foi distinguido com o Prémio de Mérito Académico, e Mestre em Música pela Universidade de Música de Colónia, tendo desenvolvido os seus estudos na classe do renomeado trompetista sueco Urban Agnas.
 A sua carreira, eclética e multifacetada, tem-se centrado particularmente na esfera da interpretação do repertório contemporâneo do instrumento. Nos últimos anos, desenvolveu um particular interesse pela música para trompete e eletrónica, género que tem aprofundando e explorado, trabalhando em conjunto com compositores e realizando frequentes recitais em Portugal e no estrangeiro. João dedica-se também, de forma ávida, à improvisação, participando em diversas performances de música experimental, frequentemente combinando elementos multimédia e cruzamentos multidisciplinares.
 A solo ou em música de câmara, João tem participado em importantes festivais de música, nomeadamente em Portugal e na Alemanha, de onde se sublinham os festivais AchtBrücken, Aachener Bachtage, Dias da Música CCB, Creative Sources Fest, Kölner Philharmonie Tripclubbing, Forum neuer Musik Deutschlandfunk ou Internationales Klavierfestival junge Meister Bodensee, onde realizou uma tournée a solo com o Concerto n. 1 de Shostakovich para piano, trompete e orquestra. Enquanto músico de orquestra, destacam-se as suas mais recentes performances com a Orquestra de Câmara da Turquia, Orquestra de Câmara da Rádio Alemã, Graubünden Kammerphilharmonie, Junge Sinfonie Köln ou Orquestra Clássica do Sul, em emblemáticas salas como a Kölner Philharmonie, Tonhalle Düsseldorf, Essener Philharmonie, Konzerthaus Ravensburg, Stadttheater Lindau, Centro Cultural de Belém, Casa da Música, Coliseu do Porto, Teatro Camões ou Teatro São Luiz. Toca e grava regularmente para labels como NEOS Music ou Creative Sources Recordings, bem como diversas rádios como Deutschlandfunk, WDR – Westdeutscher Rundfunk ou Antena 2. 
João dedica uma parte importante da sua atividade ao ensino do instrumento, desenvolvendo diversas atividades musicais pedagógicas regulares, como workshops e masterclasses. Para além disso, enquanto investigador, colabora com o Grupo de Investigação em Música Contemporânea do CESEM – Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical, tendo já, na qualidade de Bolseiro de Investigação, trabalhado diretamente com os centros de investigação da Escola Superior de Música de Lisboa e Universidade de Évora. João é, atualmente, Doutorando em Música e Musicologia, especialidade de Interpretação, na Universidade de Évora, onde desenvolve a sua investigação no campo do repertório para trompete e meios eletrónicos, particularmente focada no papel do intérprete e a sua relação com o compositor e público.

Trumpeter, teacher and researcher. He studied at the Professional School of Music and Arts in Almada and at the School of Music at the National Conservatory. He holds a degree in Music from the Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco, where he was awarded the Academic Merit Prize, and a Master of Music from the Cologne University of Music, having developed his studies in the class of the renowned Swedish trumpeter Urban Agnas. His eclectic and multifaceted career has focused particularly on the interpretation of the instrument’s contemporary repertoire. In recent years, he developed a particular interest in music for trumpet and electronics, a genre that he has been deepening and exploring, working together with composers and performing frequent recitals in Portugal and abroad. João also eagerly dedicates himself to improvisation, participating in several performances of experimental music, often combining multimedia elements and multidisciplinary intersections. Solo or in chamber music, João has participated in important music festivals, namely in Portugal and Germany, such as the AchtBrücken festival, Aachener Bachtage, CCB Music Days, Creative Sources Fest, Kölner Philharmonie Tripclubbing, Forum neuer Musik Deutschlandfunk or Internationales Klavierfestival junge Meister Bodensee, where he held a solo tour with Concerto no. 1 by Shostakovich for piano, trumpet and orchestra. As an orchestral musician, his most recent performances with the Turkish Chamber Orchestra, German Radio Chamber Orchestra, Graubünden Kammerphilharmonie, Junge Sinfonie Köln or Southern Classical Orchestra stand out in emblematic rooms such as the Kölner Philharmonie, Tonhalle Düsseldorf , Essener Philharmonie, Konzerthaus Ravensburg, Lindau Stadttheater, Belém Cultural Center, Casa da Música, Coliseu do Porto, Teatro Camões or Teatro São Luiz. He plays and records regularly for labels such as NEOS Music or Creative Sources Recordings, as well as several radio stations like Deutschlandfunk, WDR – Westdeutscher Rundfunk or Antena 2. João dedicates an important part of his activity to teaching the instrument, developing several regular pedagogical musical activities, such as workshops and masterclasses. In addition, as a researcher, he collaborates with the Research Group on Contemporary Music at CESEM – Center for the Study of Sociology and Musical Aesthetics, having already, as a Research Fellow, worked directly with the research centers of the Escola Superior de Música of Lisbon and University of Évora. João is currently a PhD student in Music and Musicology, specializing in Interpretation, at the University of Évora, where he develops his research in the field of repertoire for trumpet and electronic media, particularly focused on the role of the interpreter and his relationship with the composer and audience .