24 | 25 | 26 | 27 | SET.

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Após 4 edições (2016-2019), o Lisboa Soa preparava-se para, na sua 5ª edição, integrar as celebrações do ano em que Lisboa é Capital Verde da Europa, assinando um programa de arte sonora que iria refletir sobre as áreas-chave em que a cidade está empenhada em evoluir, nomeadamente: energia, água, mobilidade, resíduos, infra-estrutura verde e biodiversidade. 

Em Março de 2020, tornou-se claro que o programa que estava previsto não podia ser desenvolvido, não só pela impossibilidade de visitar e experienciar o maravilhoso espaço que nos iria acolher, mas também porque o contexto atual é de tal forma massivo e global que não nos faz sentido manter um programa que seja indiferente a esta situação sem precedentes. 

É inegável o efeito avassalador da pandemia no ambiente em geral e no sonoro em particular. Todos os dias nos chegam dados que dão conta de uma diminuição dos níveis de poluição e emissão de gases e são incontáveis os relatos de quem está a experienciar um ambiente sonoro muito distinto ao ouvir sons naturais até aqui mascarados pelos sons da produção e mobilidade humana. 

Mas sabemos também que, apesar dos seus contributos na consciência ecológica da humanidade, o vírus do qual nos tentamos resguardar todos os dias em nossa casa não é a revolução de que o planeta precisa. Como sociedade, estamos mais vulneráveis do que nunca na nossa necessidade de consolo e em breve voltaremos ao ritmo da nossa desejada normalidade, do circuito casa-trabalho-casa, do desperdício, das viagens sempre que o orçamento permite, da produção em série, do consumo desenfreado. Os políticos esforçar-se-ão por recuperar economias, mas essa recuperação tem de ser verde porque a natureza é parte fundamental do sistema que suporta a vida. Um planeta saudável trará menos doenças aos seus habitantes. 

No Lisboa Soa, sempre acreditámos na importância da escuta e no papel da arte sonora para estimular um sentido que é quotidianamente massacrado pela vida contemporânea. Não é apenas o ruído que nos ocupa, mas o som no sentido lato, o som como recurso para entender o ambiente, o som como unificador e espaço partilhado, o som como elemento identitário dos lugares que habitamos, o som como elemento de fruição estética e prazer. 

Enquanto agentes culturais, sentimos ser nosso dever fazer uma homenagem à solidariedade demonstrada por artistas, técnicos e instituições num momento em que todos sofremos a força dos efeitos de uma crise global de saúde, bem como as suas consequências na esfera económica e social. É por isso que decidimos redesenhar o nosso programa, adaptá-lo às circunstâncias atuais e dessa forma juntar-nos ao espírito resiliente demonstrado por toda a população durante este período de incertezas em que nos encontramos.

O Lisboa Soa acontece de 24 a 27 de Setembro e irá espalhar-se por diferentes espaços da cidade. Integra o Lisboa na Rua e acontece no âmbito do Lisboa Green Capital 2020.